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O plano original da criação e as nações: O que Jesus realmente exige de nós?

  • Foto do escritor: Marina Rodrigues
    Marina Rodrigues
  • 17 de jul.
  • 4 min de leitura
série de estudo bíblico A Grande Comissão

Série A Grande Comissão — Parte 2: O Escopo

Quando abrimos as Escrituras em Mateus 28:19 e lemos a ordem do Senhor “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações”, nossa mente religiosa e institucionalizada sofre um desvio automático. Projetamos imediatamente um mapa-múndi dividido por fronteiras políticas, passaportes, alfândegas e bandeiras. Pensamos em países e em grandes estruturas geopolíticas.

diversas bandeiras de todas as nações

No entanto, se reduzirmos a Grande Comissão a um mero esforço de atravessar linhas geográficas estabelecidas pelos homens, erraremos completamente o alvo do Reino. Para compreender a profundidade desse envio, precisamos resgatar o plano eterno de Deus, despindo-nos da mentalidade denominacional contemporânea para compreender o peso real das palavras do Mestre.

O resgate do termo: O que é Panta ta Ethne?

No texto original do Evangelho de Mateus, a expressão traduzida por "todas as nações" é Panta ta Ethne.

A palavra central aqui é ethne (singular: ethnos), que dá origem ao termo “etnia”. Para os primeiros discípulos de Jesus, a nação não tinha qualquer relação com um Estado político ou com limites territoriais demarcados pelo Império Romano.

Uma nação (ethnos) era, no propósito divino:

  • Um grupo de pessoas que compartilhava a mesma identidade e raiz cultural;

  • Indivíduos vinculados pela mesma língua, dialeto e comunicação;

  • Uma comunidade unida por laços históricos, costumes e estruturas familiares comuns.

Quando Jesus olha para aqueles homens e ordena que façam discípulos de todas as nações, Ele não os está enviando para interagir com governos ou para preencher territórios em um mapa político. Ele está ordenando que a mensagem do Reino penetre em cada microestrutura sociocultural da humanidade. O escopo de Cristo é antropológico, relacional e orgânico; não institucional.

A linha do tempo do Reino: Da promessa ao cumprimento pleno

O propósito multicultural de Deus não é um plano de contingência do Novo Testamento. O mandamento de Jesus em relação a Panta ta Ethne é o clímax da restauração de uma aliança que perpassa toda a história bíblica.

1. O Propósito Divino na Aliança Abraâmica

Séculos antes da encarnação do Verbo, Deus já havia demarcado esse mesmo horizonte. Em Gênesis 12:3, ao estabelecer Sua aliança eterna com Abraão, o Senhor declara de forma categórica:

“Em ti serão benditas todas as famílias da terra.”

Observe o termo original: "famílias" (ou "clãs"). O plano da redenção foi concebido desde o princípio para alcançar os núcleos e agrupamentos humanos onde a vida acontece de forma comunitária. Israel foi chamado não para monopolizar o favor divino, mas para ser a comunidade modelo por meio da qual a soberania e a paternidade de Deus seriam reveladas a todos os povos.

2. A Visão Consumada na Eternidade

Se em Gênesis temos a promessa e em Mateus temos o imperativo do Senhor, o livro de Apocalipse descortina diante de nós o resultado absoluto e inegociável desse mover de discipulado. João recebe a revelação do fim dos tempos e registra em Apocalipse 7:9:

“Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, que estavam em pé diante do trono, e perante o Cordeiro…”

A Igreja do Reino em sua expressão eterna não é uma massa uniforme, apática ou monocultural. Pelo contrário: as identidades, as línguas e as características legítimas de cada etnia são preservadas e perfeitamente redimidas para expressar a multiforme sabedoria da criação de Deus diante do trono.

O confronto com o etnocentrismo e a religiosidade

Compreender a realidade de Ethne nos obriga a confrontar o etnocentrismo e o orgulho religioso que tantas vezes paralisam a Igreja. Etnocentrismo é o pecado de julgar e subordinar outras culturas a partir dos nossos próprios padrões, considerando nosso estilo de vida ou nossa liturgia como superiores.

pintura que simboliza o colonialismo
"Washington Cruzando o Delaware", criada pelo artista Emanuel Leutze em 1851

Infelizmente, a história demonstra que muitas vezes, sob o pretexto de fazer missões, o que o sistema religioso tentou exportar foi a cultura ocidental, os costumes eclesiásticos e fórmulas denominacionais rígidas, em vez de fazer discípulos sob o Senhorio de Cristo.

Jesus não nos chamou para padronizar formatos externos. O Evangelho do Reino possui uma dinâmica viva e sobrenatural: ele tem o poder de encarnar em qualquer cultura humana, redimindo-a por dentro, sem perder uma única linha de sua essência e verdade absoluta.

O Senhorio de Cristo na prática: Onde estão as nações hoje?

Se as nações são formadas por grupos culturais, linguísticos e familiares, a nossa visão sobre o cotidiano precisa ser drasticamente revolucionada. O campo de ação e testemunho da Igreja se estende até os confins da terra, mas ele se manifesta exatamente onde nossos pés estão fincados.

Hoje, a soberania de Deus tem movido as nações de forma impressionante por meio de migrações em massa. Comunidades de imigrantes, estudantes estrangeiros, refugiados e subculturas inteiras que operam à margem da sociedade habitam as nossas grandes cidades. Paralelamente, milhares de povos da terra continuam sem acesso ao testemunho de uma comunidade local madura que fale sua língua e compreenda sua realidade.

A grande questão que o Mestre nos coloca não se resolve com debates teóricos ou grandes orçamentos institucionais. A pergunta é de ordem prática e radical: Nós, como corpo vivo de Cristo, estamos dispostos a renunciar ao nosso conforto, romper nossos preconceitos socioculturais e nos submeter ao Seu Senhorio para abraçar, servir e discipular quem vive de forma completamente diferente de nós?

Vamos caminhar juntos na restauração do plano de Deus?

Fazer discípulos de todas as nações exige muito mais do que recursos financeiros ou passagens aéreas; exige esvaziamento pessoal, obediência radical e a fidelidade de edificar comunidades unidas não pela carne, mas pelo Espírito.

Você foi resgatado para fazer parte dessa linhagem que conecta a promessa de Gênesis à glória de Apocalipse. Sob a autoridade do Rei Jesus, o encargo está dado: manifeste a vida do Reino onde você estiver e coopere até que cada povo confesse que Ele é o Senhor.

Se a mensagem do Evangelho do Reino e o desafio de alcançar as etnias da terra encontraram eco no seu coração, não permaneça isolado. Queremos nos conectar, compartilhar ferramentas e interceder juntos como corpo de Cristo.

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